home Bem Viver Homenagem ao Profº Paulo Yoshio Kageyama da Via Campesina-Brasil

Homenagem ao Profº Paulo Yoshio Kageyama da Via Campesina-Brasil

Professor Paulo Yoshio Kageyama ficou conhecido como o homem das ciências das árvores e das florestas. Foto: Divulgação.
Professor Paulo Yoshio Kageyama ficou conhecido como o homem das ciências das árvores e das florestas. Foto: Divulgação.

Neste dia, um companheiro e amigo do campo das ciências da diversidade das plantas seguiu o seu caminho, sentiremos muita falta do professor Paulo Yoshio Kageyama. Homem das ciências das árvores e das florestas iniciou sua carreira ainda nos “anos de chumbo” na Universidade de São Paulo, quando já se preocupava com os impactos gerados pelo desenvolvimento da ciência no ambiente e do uso indevido das tecnologias no campo. Engenheiro agrônomo, desenvolveu atividades de ensino e pesquisa científica na área da genética florestal em diferentes regiões do país e nas últimas décadas, pesquisa participativa em biodiversidade junto aos movimentos sociais do campo.

Durante o governo Lula, assumiu a direção do Programa Nacional de Conservação da Biodiversidade no Ministério do Meio Ambiente que, junto ao amigo e professor Rubens Nodari, desenvolveu políticas públicas para atender as demandas da sociedade civil, em especial dos movimentos sociais do campo, a fim de fortalecer as ações do Estado Brasileiro na conservação da agrobiodiversidade.

Muito próximo à Via Campesina, em especial o MST e o MPA e de outras organizações do campo, ajudou a criar os Centros de Irradiação do Manejo da Biodiversidade-CIMAs, que possibilitou o resgate do conhecimento sobre o manejo da biodiversidade e de diversas variedades crioulas em áreas de assentamentos da Reforma Agrária e em comunidades de agricultores camponeses.

Com o processo de criminalização dos movimentos e organizações sociais pela bancada ruralista no congresso e pelas corporações do latifúndio e do agronegócio, retornou à universidade e se associou ao Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão em Educação e Conservação Ambiental na Esalq/USP, tendo trabalhos de pesquisa e ensino no Pontal do Paranapanema e no Extremo Sul da Bahia. Logo após, retornou como membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, onde defendeu a ética na ciência, a transparência na tomada de decisões frente ao ritmo acelerado das aprovações comerciais de transgênicos na comissão e de onde, com outros cientistas do grupo minoritário e com apoio de organizações sociais e a partir da iniciativa da companheira Magda Zanoni, ajudou a criar o Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade-GEA na assessoria ao MDA e o “Movimento Ciência Cidadã”, na defesa de que a pesquisa e a ciência são um bem público, do cidadão, cabendo à ele, a tomada das decisões.

Neste ano, depois de participar do Simpósio Internacional sobre Biotecnologias onde foi palestrante e voz destoante no debate da “certeza absoluta” sobre a função e o uso das biotecnologias para a alimentação e agricultura, em fevereiro na FAO, sua última atividade acadêmica foi a organização da ‘3ª Jornada de Abril pela Reforma Agrária’ na USP, no “berço” da revolução verde no Brasil, que contou com a participação dos movimentos sociais do campo. O professor Kageyama trabalhou até o último dia, analisando processos da CTNBio, além da saudade dos amigos, deixa como legado a perseverança na luta pelo bem comum, o conhecimento científico, e pela conservação do patrimônio nacional, a rica biodiversidade brasileira pelo seu povo.

Via Campesina Brasil, 17 de Maio de 2016.

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