O novo estado da vigilância global

TVs espiãs. Reconhecimento facial de multidões. Mapeamento completo de atitudes. Como a “internet das coisas” e o “big data” contram e amedrontam as sociedades

Por Ignacio Ramonet | Tradução: Vinícius Gomes Melo

 

Em nossa vida cotidiana deixamos, constantemente, rastros que entregam nossa identidade, mostram nossos relacionamentos, reconstroem nossos deslocamentos, identificam nossas ideais, revelam nossos gostos, nossas escolhas e nossas paixões – incluindo as mais secretas. Por todo o globo, múltiplas redes de controle maciço não param de nos vigiar. Em todas as partes, alguém nos observa através de fechaduras digitais. O desenvolvimento da internet das coisas e a proliferação de objetos conectados (1) multiplicam a quantidade de todo o tipo de dedos-duros que nos rodeiam. Nos Estados Unidos, por exemplo, a empresa eletrônica Vizio, sediada em Irvine (California), fabricante de televisões inteligentes conectadas a internet, revelou recentemente que seus aparelhos espionavam seus usuários através de dispositivos tecnológicos incorporados aos produtos.   Leia Mais…

O livre direito à manifestação está em risco

Foto: Mídia Ninja
Foto: Mídia Ninja

Artistas, professores universitários, ativistas e militantes sociais alertam: ‘o livre direito à manifestação está em grande risco hoje no Brasil’.

 

Em repúdio aos sucessivos e truculentos episódios de repressão policial contra manifestantes nas ruas, eles lançam o Mani-f-esta livre!, denunciando ameaças em curso e propondo uma série garantias ao livre exercício da manifestação popular.

“O manifesto pretende expressar a voz da esquerda das ruas”, afirma o sociólogo Jean Tible, um dos signatários do documento. “Partindo da perspectiva de que o cidadão faz política no seu cotidiano, e não apenas no momento das eleições, nós colocamos em debate essa situação absurda, na qual as pessoas que reivindicam determinadas pautas acabam sendo reprimidas de uma forma totalmente violenta e antidemocrática”, explica. Leia Mais…

“A sociedade terá de mudar, porque é ela quem autoriza, hoje, a barbárie policial”

“Nas PMs, tende a prosperar a ideia do inimigo interno, não raro projetada sobre a imagem estigmatizada do jovem pobre e negro”, diz Luiz Eduardo Soares

Por Viviane Tavares, da EPSJV/Fiocruz

 

Luiz Eduardo Soares
Luiz Eduardo Soares

 

A desmilitarização da polícia, uma das bandeiras das jornadas de junho, sempre foi uma das principais de Luiz Eduardo Soares, especialista em segurança pública, professor da UERJ e antropólogo. Nesta entrevista, o autor de mais de 20 livros, entre eles Tudo ou Nada, Elite da Tropa e Cabeça de Porco, explica o motivo de sua defesa, e aponta que este é apenas o primeiro passo para o caminho árduo de construção de uma sociedade “efetivamente democrática e comprometida com o respeito aos direitos humanos”. Luiz Eduardo foi um dos principais elaboradores da PEC-51 – recentemente apresentada pelo senador Lindbergh Farias (PT/RJ) – que visa, segundo ele, reformar o modelo policial.  Leia Mais…

Homem da ditadura, presidente da CBF recebe como anistiado político

Apesar de ter sido comandante militar e prefeito biônico no Pará, Coronel Nunes recebe até hoje mesada como perseguido pelo regime

por Lúcio de Castro

Após deixar a FAB, Antonio Carlos Nunes de Lima ingressou na Polícia Militar do Pará. Foto: Divulgação/Federação Paraense de Futebol
Após deixar a FAB, Antonio Carlos Nunes de Lima ingressou na Polícia Militar do Pará. Foto: Divulgação/Federação Paraense de Futebol

Homem de confiança do regime militar durante os anos da ditadura, o novo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebe um soldo mensal de R$ 14.768,00 da Força Aérea Brasileira (FAB) como anistiado, “vítima de ato de exceção de motivação política”. Leia Mais…

Programas policialescos não podem ter carta branca para violar direitos

 O Ministério Público Federal em São Paulo ajuizou ação civil pública contra a Record e a União em decorrência de violações de direitos no programa “Cidade Alerta”. Estudo aponta que programas policialescos violam cotidianamente 12 leis brasileiras e 7 tratados multilaterais.

Charge: Junião

Por Helena Martins (*), especial para a Ponte Jornalismo

“Atira, meu filho; é bandido”. Essa foi uma das frases proferidas por Marcelo Rezende, do programa Cidade Alerta, da Rede Record, ao transmitir, ao vivo, uma perseguição policial a dois homens que seriam suspeitos de roubo. A ação culminou com um tiro disparado à queima roupa pelo integrante da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam) da Polícia Militar de São Paulo contra aqueles que, repetidas vezes, foram chamados de “bandidos”, “marginais” e “criminosos” pelo apresentador. Leia Mais…

Escritores de todo o mundo protestam contra sentença de morte de poeta

Ashraf Fayadh, poeta condenado à morte na Arábia Saudita.
Ashraf Fayadh, poeta condenado à morte na Arábia Saudita.

Centenas de escritores juntaram-se numa ação de protesto a nível mundial para apoiar o poeta Ashraf Fayadh, condenado à morte na Arábia Saudita, por ter renunciado ao islão. A ação consistiu em leituras públicas de poemas de Fayadh e fez parte de uma campanha organizada pelo Festival Internacional de Literatura de Berlim, de acordo com o diário The Guardian. O objetivo da campanha foi pressionar os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido para que intercedam a seu favor, impedido que as autoridades sauditas cumpram a pena.

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O novo Fórum Social mundial precisa de coragem

O problema reside agora numa visível hesitação de como proceder diante de uma crise econômica planetária, onde não basta a conservação do já conquistado.

Recomeça em Porto Alegre nesta terceira semana de janeiro de 2016, mais uma reunião do Fórum Social Mundial. Sem o número de participantes e sem a cobertura midiática das primeiras, o sucesso dessa iniciativa popular, sob todos os aspectos urgente e necessária, como um válido contraponto ao que predomina em Davos, vem sendo avaliado como declinante, assim medido, exatamente, só por aquele número e aquela publicidade.Leia Mais…

D. Tomás Balduíno: “Nossa reforma agrária ainda é a dos militares”

Bispo emérito de Goiás, fundador e por seis anos presidente da Comissão Pastoral da Terra, fundador do Conselho Indigenista Missionário, com 90 anos de “uma vida a serviço da humanidade” (registrada em livro), D. Tomás Balduíno encontra momentos de sossego no Convento São Judas, onde mora em Goiânia, porém não desistiu de procurar a agitação dos movimentos sociais.

Goianenses relataram que não é difícil ver o bispo participar de manifestações importantes em sua cidade e Brasil afora. O “Quem tem medo da democracia?”, que o entrevistou com exclusividade dentro do Convento, não tem dúvidas deste vigor para a luta ao lado do povo. O uso do anel de tucum, feito de uma Palmeira nativa da Amazônia, simbolizando o compromisso com os oprimidos, não nos deixa mentir.Leia Mais…

Pedro, o mais forte sinônimo do Araguaia

Não faz muito tempo matavam-se índios, padres, agentes de pastoral e sindicalistas na selva e nas cidades em Mato Grosso.  Os mártires que protagonizaram a defesa do chão e do patrimônio natural entraram para história; os sobreviventes ainda narram situações. Entre esses célebres personagens está o missionário da Ordem dos Claretianos Pedro Casaldáliga, 83 anos, por mais de 30 anos bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia.

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‘Sejamos claros: um mundo acabou, não há como voltar atrás’

Segundo o antropólogo Alain Bertho, o século XXI abandonou o futuro em nome da gestão do risco e do medo, indiferente à ira das gerações mais jovens.

Para combater de forma eficaz o Estado islâmico e sua oferta política de morte e desespero, “devemos refletir sobre a revolta que está na raiz desses crimes”, sugere o antropólogo Alain Bertho, professor de antropologia na Universidade Paris-VIII, que prepara um livro sobre “os filhos do caos”. Na raiz do mal, o fim das utopias, enterradas com o colapso de todas as correntes políticas progressistas. O século XXI abandonou o futuro em nome da gestão do risco e do medo, e indiferente à ira das gerações mais jovens. Entre um cotidiano militarizado e o julgamento final à moda jihadista, apenas “a ascensão de outra radicalidade” poderia reavivar a esperança coletiva.Leia Mais…