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ELLY BUARQUE: UM CIDADÃO BRASILEIRO

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Finalmente a entrevista com o “professor Pardal”, como ele mesmo se auto-intitula. Simples, com 67 anos, de fala mansa, venerado pelos colegas, primo do compositor Chico Buarque. Reluta em falar da família e do passado, quando foi torturado e exilado pelo regime militar. Hoje vive na Aldeia Velha, em Chapada dos Guimarães, fazendo o que fez a vida inteira: ARTE.

Um contato telefônico com Elly Buarque, graças ao advogado trabalhista Marcos Dantas, que nas horas vagas ataca de fotógrafo e conhece os artesãos e guias da Chapada dos Guimarães e breves perguntas antecedendo à entrevista, sobretudo sobre o parentesco com o compositor Chico Buarque de Holanda e sobre os “anos de chumbo”, tema meio proibido, pois “é coisa do passado.” Não foi fácil fazê-lo responder a estas questões, mas com o passar da entrevista, ele foi se soltando. Fomos recebidos na “casa do professor Pardal”, como faz questão de frisar, nos fundos de uma residência, na Aldeia Velha. Pessoa de modo simples, “um eremita”, que sobrevive da arte que circula no seu sangue desde pequeno. Genético talvez, até por fazer parte de uma família de artistas.

Mas Elly não se prende ao sobrenome Buarque. Aos 67 anos, com uma lucidez incrível, talha objetos na madeira com um precisão cirúrgica, inventa instrumentos musicais e coleciona bugigangas, peças antigas, raras, como um grilhão, meio enferrujado, usado nos tempos da escravidão.

Esse é o Elly Buarque, o mago, que traz vida à natureza morta. Um verdadeiro cidadão chapadense, ou melhor, brasileiro.

NR – *Esta entrevista foi publicada na revista Sina, impressa em abril de 2010. Elly Buarque faleceu hoje 27/08, na cidade que ele adotou, Chapada dos Guimarães. Nossa homenagem a este grande artista e cidadão brasileiro. (Fotos Marcos Dantas)

Sina – Você é primo do cantor e compositor Chico Buarque. Mantém algum tipo de contato com familiares dele?

Estou há mais de 26 anos em Mato Grosso, acho que faz mais de 30 anos que não tenho contato com ninguém da família. Retornei ao Brasil em 1978 e a partir daí não tive mais contato com a família.

Sina – Mas quando morava em São Paulo, tinha contato com familiares?

Tinha um pouco sim, porque estava na área da arte e eles também são do movimento artístico e algumas vezes aconteciam o encontro. Mas nos últimos tempos cortou-se esse vínculo.

Sina – O Aurélio Buarque, o do dicionário, é também parente?

É parente, não sei em que grau, porque a família é muito grande.

Sina – Há uma controvérsia nesta história, pois em uma entrevista o Chico Buarque disse que o Aurélio não era seu tio?

Olha, a minha convivência com a família era muito pouca coisa, não tinha muito contato não, talvez até por causa desta questão aí né.

Sina – Mas você chegou a acompanhar a trajetória dele?

Uma parte . Lá pelos anos 60 e pouco quando iniciou-se a ditadura, onde houve muita perseguição aos artistas. A gente se encontrava casualmente, nunca estive assim, dentro da família, até porque eu estava em uma área e ele estava em outra.

Sina – Não chegaram a trabalhar juntos então?

Não, eu mexia com teatro em São Paulo e ele no Rio de Janeiro, então a distância era um empecilho.

Sina – Qual a composição que o Elly mais gosta do Chico?

Ah, quase todas, não tenho uma preferida, só ouvindo para dizer, pois ele têm muitas composições. Ainda tenho alguns discos de vinil dele.

Sina – Chegou a conhecer alguns amigos do Chico?

Ah sim, Caetano, Gil, Milton Nascimento, nem tanto pelo parentesco, mas através da minha atuação no movimento artístico.

Sina – Em 1968, Chico se auto-exilou para a Itália. Este foi o seu caso também?

No meu caso “me exilaram” . Como eu fazia parte da USP na época e participava do movimento teatral, todo pessoal desta área, da metalurgia e outros segmentos artísticos, havia sim uma perseguição até porque eram pessoas com opinião própria, metia a boca no trombone mesmo. Houve um movimento no teatro que se manifestava fortemente contra o sistema e deu no que deu.

Sina – Foi nesse momento que você teve que sair do país?

É, tomaram meus documentos, meus direitos e me deram um pé no traseiro. Me deram 24 horas para sair do país. Ou saia ou morria. Eu preferi sair, tanto é que estou aqui contando esta história, mas não gosto muito de falar sobre isso.

Sina – Quando aconteceu isso?

Em 64, bem no início do golpe, fui um dos primeiros. Eu estava engajado no movimento desde 58, já estava me preparando com o movimento junto com Che Guevara. A gente tinha treinamento, ele vinha, dava palestras, tava preparando a gente. Fomos para a Colômbia, Cuba, para fazer um treinamento paramilitar. Nós tínhamos um grupo bom, preparado para uma revolução. Mas houve um desmantelamento total e muitos morreram e também muitos pedaços de corpos foram espalhados por todo lugar, então nunca vão encontrar.

Sina – Mas seu ativismo era só com a UNE ou era filiado a algum partido?

Eu fui por muito tempo, filiado ao Partido Comunista. Até fui patrocinado em algumas atividades por eles. Como a minha área era comunicação, tinham interesse em pessoas inteligentes, engajados em movimentos. Interesses dele né.

Sina – O seu exílio foi aonde?

Ah, eu viajei pela América Latina toda e fui subindo. Fui para a Europa, estive em Israel, Egito, Índia…

Sina – E sobrevivia como?

Da minha arte. Como sou um artista nato, fiz muitas esculturas e pinturas aonde me dedicava mais até por ser mais comercial e sobrevivi com isso. Onde eu chegava, tinha um ferramenta, e qualquer pedacinho de pau, esculpia. Tenho vários trabalhos esparramados pelo mundo. Neste período trabalhava mais a pequena escultura, por ser mais comercial, e disso eu tirava o almoço, o jantar, dois, três, cinco dólares, então ia levando assim.

Sina – Os Buarque têm várias celebridades na família e você vive praticamente no anonimato em Chapada do Guimarães. Como é conviver com isso?

Eu sempre fui um membro afastado, nunca fui de enturmar. Logo cedo, aos 11 anos, já comecei a buscar minha individualidade, a minha independência e não me apoiar em cima do sobrenome, que é normal em nossa cultura, usar o nome de outro para se fazer. Eu sempre evitei isso. Baseado nisso, fui me afastando aos poucos e já tem mais de 40 anos que não tenho contato com a família, que nem sabe onde eu estou de fato. Nenhum membro da minha família sabe.

Sina – Mas você tem filhos?

Tenho, tenho três filhos, não morando exatamente no mesmo lugar. Tenho um aqui, o mais novo com 12 anos, um em Campo Grande e um em São Paulo. Estes dois últimos eu não tenho contato, até porque são de casamentos diferentes e fui obrigado a me afastar deles por incompatibilidade de gênio, coisas bem pessoais mesmo.

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Sina – Em que ano você veio a Mato Grosso?

Eu vim em 1982 e fiquei em Cuiabá. Eu trabalhava em São Paulo com equipamentos eletrônicos, fabricação de rádio de comunicação. Mato Grosso naquela época a comunicação era através de rádio. Nas cidades existia o telefone fixo, mas nas áreas rurais, o rádio era o instrumento usado. Então a empresa que trabalhava tinha montado um filial aqui em Cuiabá, mas estava com problemas de administração. Foi aí que me mandaram para cá para ver em que situação se encontrava a empresa. Fiz o levantamento, me comuniquei com a central e eles me mandaram voltar para a base. Pedi para ficar uns seis meses para conhecer o Estado e fui ficando, ficando… Abri uma empresa de restauração de equipamentos eletrônicos e vi que o campo era favorável devido ao calor da cidade onde havia a utilização muito grande de aparelhos de ventilação.

Sina – Ganhou muito dinheiro?

Algum, o suficiente para viver. Eu nunca fui muito ganancioso com dinheiro. É só olhar a vida que levo, tranquila, à minha maneira.

Sina – De Cuiabá, veio direto para a Chapada?

É, através da arte. Tinha um amigo que vinha sempre para cá e eu mandava algumas esculturas, até para sondar o mercado aqui. Como é uma cidade turística, havia o Festival de Inverno, um fluxo muito grande de gente e poderia ganhar algum dinheiro e divulgar a minha arte. A questão era mostrar o que eu fazia. Com o passar do tempo achei interessante em morar aqui, fechei meu comércio lá e vim em definitivo. Tempos depois, devido ao meu modo de ser, e estar sempre me comunicando com a questão da arte e cultura, o governo municipal me contratou para atuar nesta área onde trabalhei por um bom período como coordenador na Secretaria de Turismo e Cultura da Chapada dos Guimarães. Atualmente estou mexendo somente com arte. Até porque estou me afastando um pouco dessa coisa, porque é muita politicagem. Aí já não era bom para mim, por ser uma pessoa tranquila, meio eremita, achei que estava saturado.

Sina – Os governos têm muita influência sobre artistas?

Tem e não tem. Como o artista tem sempre opinião própria e está sempre discutindo o que é de interesse deles, há uma certa desavença. É uma comunicação meio bloqueada, truncada, então não há muito espaço aberto para dialogar. A não ser depois que você é fica muito famoso, né?

Sina – Aí eles vêm atrás?

É lógico, pois eles precisam que você divulgue as coisas deles, aí buscam você. Eu sempre fui meio antipático quanto esta questão aí.

Sina – Sobreviver de arte é possível?

É meio impossível, mais é teimosia. Acho que o artista que mexe com pequenas artes ou ainda não tem fama fica difícil para ele. Vai só sobreviver. E tem que gostar do que faz. Você faz por amor à arte, porque por interesse financeiro, é muito difícil.

Sina – Como você vê a cena cultural no Estado?

Atualmente o governo do Estado se preocupa em divulgar um pouco essa coisa da cultura, com injeção de dinheiro com a lei de incentivo. Houve sim, um interesse na cultura. Até porque uma cidade com quase 300 anos tem muitas histórias. O Estado tem muitas histórias. Mas o incentivo ainda é muito pouco, limitado.

Sina – Se estivesse morando e trabalhando nos grandes centros como São Paulo, você não teria mais visibilidade como artista?

Provavelmente sim. Quando retornei ao Brasil em 1978, já não tinha mais campo, já não tinha mais comunicação com a comunidade artística. Fiquei afastado por um longo período e perdi os laços de amizade. Quando voltei, cheio de experiência, cheio de bagagem e tentei mostrar isso, já não tinha mais área para atuar.

Sina – Voltou em plena vigência dos “anos de chumbo”?

Exato, a censura era rigorosa. Quando sabia que alguma companhia estava recrutando pessoal para montagem de alguma peça e faziam aquela coisa da entrevista com o artista, quando chegavam em pontos vitais, que remetia àquela época, a conversa acabava ali. “Eles falavam ah, você é o fulano de tal, né, infelizmente você não se encaixa no perfil do personagem”, dando uma desculpa. Foi aí que saí da área e fui para a escultura, onde o campo ainda não era minado.

Sina – Até porque você tem outras virtudes, além de escultor, como por exemplo, pintor, ator, cantor lírico…

(Nossa! Onde achou essa de cantor lírico? risada) Isso foi no passado, na época da ditadura militar. Como eu era do movimento teatral, me formei em arte dramática em 1962. Eu sempre gostei de teatro. Para mim teatro é ser completo. O ator tem que saber cantar, dançar e interpretar. Era o meu conceito sobre a arte cênica e eu sempre busquei isso. Na época estava se formando em São Paulo o Teatro Experimental de Ópera, acho que era da Itália e estavam recrutando pessoas, de preferência da área de teatro e me interessei. Participei de algumas montagens e encenei duas óperas, Aída e O elixir do amor. Mas foi uma temporada curta. Na época em que saí do Brasil e sem direção estipulada, fui parar na Itália, que era o berço da ópera. Me engajei no próprio Teatro de Ópera onde fiquei por um período.

Sina – Você vai participar de uma feira no Rio de Janeiro em junho?

Sim, através da Associação dos Produtores e Produtoras Artesanais de Chapada que tem uma loja no centro chamada Chapada a Mão. É ela quem promove isso e é quem leva o material através da comunidade solidária. A loja já tem vários trabalhos meus, e estou fazendo vários outros para este evento no Rio de Janeiro, mostrando a história o Brasil colônia. Pediram um mínimo de 50 peças pois calculam que a feira vai ser muito grande e o material, uma boa aceitação.

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Sina – Dia 19 de março é considerado o Dia do Artesão. Algum motivo para comemorar?

Eu não sei bem se tem ou não, porque até hoje a profissão de artesão não é reconhecida pelo Ministério do Trabalho, muito embora seja uma das profissões mais antigas do mundo. Se conhece a história, mais através desses personagens que são os artesãos que esculpiam, entalhavam há muitos anos atrás. Mas não é reconhecido pelo governo, temos que ralar, sobreviver, sem carteira assinada, sem aposentadoria…

Sina – Ainda hoje, muitas pessoas veem o artesão e lembram dos hippies, Woodstock, do pessoal que fuma maconha. Qual sua opinião sobre isso?

Acho que é uma questão cultural. Até hoje você ainda conversa com pessoas e ela não sabe o que é artesanato e o que é arte. Não sabe discernir uma coisa da outra. Então, para essas pessoas, o artesão é marginal, vagabundo…

Sina – Mas isso não está mudando?

De certa maneira sim, até por causa desses movimentos de feiras de exposições apoiados pelos governos. Quando os estados começam a se desenvolver, começam a descobrir que a comunicação da sua cultura quem faz é o artesanato, que divulga a cultura regional e local, Alguns inteligentes descobriram isso e foram incentivar. O Sebrae, por exemplo, é um dos maiores articuladores dessa área do artesanato, de desenvolver capacitação para pessoal interessado na cultura brasileira, que é muito rica, embora ainda não compreendida na íntegra. Mas é por aí mesmo. A gente fica ainda esperando quando é que o brasileiro vai entender exatamente quem ele é de fato. É questão cultural. Sempre foi impedido de buscar a arte, perseguido por se expressar. Você viaja por este Brasil afora e vê quantos artistas têm e quantas áreas ele atua.

Sina – Você utiliza madeiras em seus trabalhos. Qual a sua preocupação ecológica neste sentido?

Você não vê na minha casa motosserra. Eu busco na mata árvores já derrubadas pela própria natureza, árvores já mortas, às vezes já no chão devido as intempéries da natureza . Também tenho muitas raízes que colho no campo na época da chuva, quando o vento derruba a árvore e a raiz fica à mostra. Eu sempre digo que tento dar a vida à natureza morta para que ela não acabe nunca. Duma árvore, duma raiz, dum galho, eu faço uma arte, que é para imortalizar a natureza.

Sina – Você que viajou por vários países. A cultura deles é diferente?

Sim, a cultura é outra, muito ampla, bem mais aberta e com maior apoio, sem dúvida. E não precisa ir muito longe não. Se você adentrar nos países latinos mesmo, nossos vizinhos, você percebe que o conceito de cultura já é outro. Artista de rua mesmo, que se apresenta em praça pública, ele tem já um comportamento diferente de comunicação. Lá até as crianças tratam você diferente. Aqui é o contrário. O cidadão pisa no seu objeto, quebra e se você altera um pouco, chama a polícia. Em outros países não. Até o Paraguai, um dos países mais complicados para a nossa cultura ou falta de compreensão talvez, de entender a cultura deles, já o tratamento é outro. Na Bolívia o tratamento é outro… Eles preservam muito as raízes. A cultura boliviana, peruana, chilena é muito rica e nós não temos muito disso aí. Se fizer um levantamento, você vai ver que temos muitas influências deles, embora a nossa cultura não abra espaço para que isso se mostre. Aí fica complicado. Quando é que o artista brasileiro vai ter chance de dizer exatamente quem ele é, e que as pessoas compreendam exatamente o que ele está dizendo.

Sina – Esta semana, o Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou ação que pretendia mudar a Lei de Anistia para punir agentes públicos que torturaram militantes políticos na ditadura. Você que foi torturado, o que acha disso?

Pois é, eu vi aí o movimento para resgatar a memória do torturado. Mas ele já foi torturado meu camarada, ele já sentiu na pele, já sofreu todas as consequências. Então como é que ele vai deixar agora, se levar pela ideia do governo, de te dar uma aposentadoria, mas aí você vai sofrer tudo outra vez, porque você vai relembrar tudo, você vai ter que provar tudo pra você ter isso. Eu acho isso aí uma maneira muito estúpida de reconhecimento. Eu me recuso a aceitar isso. Alguns amigos meus que sabiam da minha história tentaram me ajudar a recuperar meu passado, para dar entrada na aposentadoria. Eu me recuso. Agora o Brasil vem dizendo, “não, você tem direito, está aí a lei criada para isso”. Cara, você já passou por tudo, já sofreu tudo, já tomou choque, foi violentado, estuprado e agora eles vêm te perdoar, dar um salário qualquer para você ficar quieto e se sentir satisfeito. Dá licença aí, isso não aceito. Prefiro viver como artesão, passando dificuldades, levando uma vida pequena, pobre, mas digna.

Sina – Mas você acha que os torturadores devem ser processados?

Eu lhe faço a mesma pergunta… Quando foi e em qual história, que os torturadores foram processados e condenados. Quando? Lembra alguma? Então, os governos ditadores vêm, fazem o que querem, passam por cima e depois, “é a história, é o país, é necessário”. E você não tem acesso nunca. Você vai ter acesso de condenar um senador? E que tribunal você vai provar que ele deu um tapa na sua cara, que te pôs num calabouço e te triturou. Como é que você vai provar isso? Nunca, nunca. Você não tem nem acesso em nenhum segmento da lei ou da sociedade para mostrar, mesmo que tenha provas circunstanciais, você não tem acesso a nenhum tribunal. Vai ser difícil. Quem sabe daqui a três mil anos isso venha a acontecer, se o Brasil acordar para a realidade, senão nós vamos seguir a política atual ou a política de 1900, que já falava a mesma linguagem. O discurso do palanque é o mesmo. Não mudou nada.

Sina – Só mudaram as pessoas?

É, eles tiraram as armas, os uniformes e usam agora uma força maior que é a própria imprensa. Eles movimentam a mente humana através da imprensa. Eles manipulam do jeito que eles querem. Taí, a gente vê estampado em todos jornais e nas televisões abertas tudo isso. Aí incitam o povo a ir pra rua, pintar a cara e defender uma bandeira. Desde que você não faça nenhuma manifestação que agrida o sistema.

Sina – Mas isso no governo Lula não mudou?

Mudou nada rapaz. E quando que muda. O Lula foi um também que fez a parte dele, interessou pela parte política, não foi diferente. Foi sindicalista com um ideal. Ele se espelhou em líderes europeus como Lech Valessa para fazer a carreira dele. Ele está onde está hoje e se você for lá para uma entrevista e fazer as mesmas perguntas, ele vai enrolar. Como ele aprendeu? Foi naquela época, subindo nos palanques da metalurgia, nas manifestações, com um sindicato grande, com milhares de pessoas engajadas. Então tinha poder. Se o sindicato resolvesse parar a indústria, o Brasil que era pequeno, ficava menor ainda.

 

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