home Direitos Humanos Terror pernambucano no Maranhão (Getat 4 – final)

Terror pernambucano no Maranhão (Getat 4 – final)

Percebi no tempo em que trabalhei no Maranhão que sua gente é pacata, mas não foge da raia. Vi na prática uma das leis de Newton: para toda ação sempre há uma reação.

Pertencente à família Maranhão – que coincidência! – o Grupo Pernambucano tinha sede em Recife (PE), era temido na região de Caxias e não tinha dó de ninguém. Liderado por Romero Costa Albuquerque Maranhão, expulsava posseiros com a guarnição da Polícia Militar, mesmo sem mandado judicial, como ocorria em Rondônia, uma década antes. Eles detinham posses de dez, 20 e 35 anos.
03-jornaldobrasilAssim ocorreu em fevereiro de 1987 com 42 famílias que viviam em uma parte da Fazenda Caxirimbu, a dez quilômetros da sede daquele município na divisa com o Piauí. O Ministério da Reforma e Desenvolvimento Agrário (Mirad) pretendia desapropriar 2,5 mil hectares, após ouvir a Superintendência do Incra no Maranhão.

Fazendeiros reagiram, despejando famílias à força, dando sequência a uma operação-limpeza iniciada um mês antes pelos jagunços da fazenda e, por incrível que pareça, na presença de uma equipe do próprio Incra, que havia aprovado o levantamento feito pela Comissão Estadual de Reforma Agrária.

Na edição de sábado, 28 de fevereiro de 1987, 1º caderno, pág. 5, o JB estampava o meu relato. Parte dele:

Jagunços expulsam posseiros de fazenda no Maranhão

São Luís – Os coronéis PM Daniel e Xavier, diversos subordinados seus e agentes da Polícia Civil estão envolvidos na expulsão das famílias da Fazenda Caxirimbu. Nas duas Varas Cíveis da Comarca de Caxias, a equipe do Incra constituída por quatro servidores, não encontrou mandados judiciais contra posseiros da região, à exceção de um interdito proibitório da Fazenda Rio Largo, que até 20 de fevereiro não havia sido julgado.

Capangas e policiais arrancaram as portas das casas dos ocupantes de uma parte da Fazenda Caxirimbu, esparramando utensílios e produtos das famílias, para obrigá-las a aceitar irrisórias indenizações, algumas de dez mil cruzados a 12 mil cruzados. E sob ameaças: ou aceitavam, saindo nas datas estipuladas, ou morreriam, conforme revelou ontem um advogado do Incra que esteve no local. Uma mãe despejada chorava com os filhos e netos criados naquelas terras.

Antes do despejo da semana passada houve uma reunião dos capangas da fazenda, policiais militares armados e posseiros informou o diretor de recursos fundiários do Incra, Marcos Kowarick.

Na Agropecuária Rio Largo, os jagunços destruíram o povoado de Quilombo. No povoado conhecido por Central, depois de destruir lavouras de mandioca, melancia, maxixe, milho e feijão, os empregados dos fazendeiros semearam capim, de avião.


*Montezuma Cruz é editor de Amazônias. Colabora com Gente de Opinião, CaféHistória, Revista Momento, Supersitegood e Revista Sina (ambos de Cuiabá). Publicado em 03 de Abril de 2013

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