D. Tomás Balduíno: “Nossa reforma agrária ainda é a dos militares”

Bispo emérito de Goiás, fundador e por seis anos presidente da Comissão Pastoral da Terra, fundador do Conselho Indigenista Missionário, com 90 anos de “uma vida a serviço da humanidade” (registrada em livro), D. Tomás Balduíno encontra momentos de sossego no Convento São Judas, onde mora em Goiânia, porém não desistiu de procurar a agitação dos movimentos sociais.

Goianenses relataram que não é difícil ver o bispo participar de manifestações importantes em sua cidade e Brasil afora. O “Quem tem medo da democracia?”, que o entrevistou com exclusividade dentro do Convento, não tem dúvidas deste vigor para a luta ao lado do povo. O uso do anel de tucum, feito de uma Palmeira nativa da Amazônia, simbolizando o compromisso com os oprimidos, não nos deixa mentir.Leia Mais…

Pedro, o mais forte sinônimo do Araguaia

Não faz muito tempo matavam-se índios, padres, agentes de pastoral e sindicalistas na selva e nas cidades em Mato Grosso.  Os mártires que protagonizaram a defesa do chão e do patrimônio natural entraram para história; os sobreviventes ainda narram situações. Entre esses célebres personagens está o missionário da Ordem dos Claretianos Pedro Casaldáliga, 83 anos, por mais de 30 anos bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia.

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Entrevista com Bernard Dumaine

15-01-dumainePor JOSEPH DECKER

[tradução de Michèle Sato]

ntre os diversos sites existentes em termos de arte, Shadowness [http://shadowness.com/] chegou prometendo qualidade. Nesta semana, o americano Joseph Decker [membro staff do site] entrevistou o francês Bernard Dumaine sobre a sua arte. Ao ler a entrevista, solicitei permissão a ambos e tive os dois sim para traduzir em português e publicar simultaneamente na Revista SINA.Leia Mais…

‘Sejamos claros: um mundo acabou, não há como voltar atrás’

Segundo o antropólogo Alain Bertho, o século XXI abandonou o futuro em nome da gestão do risco e do medo, indiferente à ira das gerações mais jovens.

Para combater de forma eficaz o Estado islâmico e sua oferta política de morte e desespero, “devemos refletir sobre a revolta que está na raiz desses crimes”, sugere o antropólogo Alain Bertho, professor de antropologia na Universidade Paris-VIII, que prepara um livro sobre “os filhos do caos”. Na raiz do mal, o fim das utopias, enterradas com o colapso de todas as correntes políticas progressistas. O século XXI abandonou o futuro em nome da gestão do risco e do medo, e indiferente à ira das gerações mais jovens. Entre um cotidiano militarizado e o julgamento final à moda jihadista, apenas “a ascensão de outra radicalidade” poderia reavivar a esperança coletiva.Leia Mais…

Terror pernambucano no Maranhão (Getat 4 – final)

Percebi no tempo em que trabalhei no Maranhão que sua gente é pacata, mas não foge da raia. Vi na prática uma das leis de Newton: para toda ação sempre há uma reação.

Pertencente à família Maranhão – que coincidência! – o Grupo Pernambucano tinha sede em Recife (PE), era temido na região de Caxias e não tinha dó de ninguém. Liderado por Romero Costa Albuquerque Maranhão, expulsava posseiros com a guarnição da Polícia Militar, mesmo sem mandado judicial, como ocorria em Rondônia, uma década antes. Eles detinham posses de dez, 20 e 35 anos.Leia Mais…

Recorde de violência rural e oportunismo divisionista – Getat (2)

O editor-chefe Marcos Sá Corrêa e os demais editores de Nacional do saudoso Jornal do Brasil chamavam minhas reportagens na 1ª página. Num clima quase semelhante ao de uma guerra civil, ia longe o escândalo da morosidade e das manobras espúrias no Araguaia-Tocantins.

Os graúdos tinham regalias e não esperavam na fila de uma reforma agrária utópica. Em 1987 o jornal publicava outra reportagem minha: CPT diz que Maranhão bate recorde de violência rural – que começava assim:Leia Mais…

Conflitos no campo: o rastro da violência e da política

Os 371 ruralistas do Congresso possuem quase 1 milhão de hectares. É esta máquina poderosa que tenta barrar o crescimento da agricultura familiar.

A Comissão Pastoral da Terra divulgou o relatório sobre os conflitos ocorridos no Brasil em 2014, envolvendo a posse da terra, água, questões trabalhistas, condições análogas à escravidão e violência – assassinatos ou ameaças – que atingiram, 817.102 pessoas e 8,13 milhões de hectares. A CPT, que está completando 40 anos em 2015, faz o registro dos dados desde 1985. Paralelo aos números desse ano, também divulgaram informações sobre os últimos 30 anos de conflitos no campo no país. Os números são impressionantes; foram 28.805 conflitos, com destaque para a região Nordeste com 10.488 (36%) e a região Norte com 7.770 (27%) e mais de 19 milhões de pessoas envolvidas. Leia Mais…

Oceanos, a grande emergência

Como os mares puderam retardar o aquecimento global. As consequências: acidez, declínio dos corais, cardumes despovoados. A questão: agir já, ou enfrentar o imprevisível

A massa de água que recobre mais de dois terços do planeta funciona como um “integrador do clima” e limita a extensão das mudanças climáticas por dois motivos principais. De um lado, absorve a quase totalidade do calor que se acumula na atmosfera: os oceanos armazenaram 93% do excesso de calor provocado pelo aumento de gases de efeito estufa (1), ao preço de seu próprio aquecimento e elevação dos níveis do mar, principalmente através da expansão e derretimento da camada de gelo da Groenlândia. Por outro lado, os oceanos capturam uma parcela significativa (28% desde 1750) de dióxido de carbono (CO²) gerado por atividades humanas, desta vez à custa do aumento da acidez da água do mar. Leia Mais…